Por enquanto, este espaço é apenas dos cenotécnicos, porque as cenas de hoje serão feitas na estrutura do prédio da Herbert Richers: o set é um camarim e na sala ao lado estão montados o Video Assist e o som.
Será usada uma lente chamada Macro, usada para filmar coisas microscópicas. A lente encantou Daniel, que resolveu filmar seu olho: “Verdão, hein?”, disse, a respeito de seus olhos pelo monitor. “Mas tá enrugadinho, enrugadinho…”, analisava. “De perto ninguém é normal, Daniel”, brinca o gerente de imagem digital Miguel Lindenberg.
Gil Otero e os assistentes de câmera Silvia Gangemi e Tiago Rivaldo preparam a cena com a macro, com Gabriel Santucci, responsável pelo Video Assist, de modelo para a marcação (fotos de Ique Esteves)O set apertado de hoje – apenas o camarim e o corredor – deu a Daniel mais espaço no “elevador”. Explica-se: uma das coisas que mais irrita o diretor é o excesso de gente no set. Sempre que isso acontece, ele pede: “O elevador está cheio! Vamos esvaziar o elevador!”. Hoje, só fica quem é essencial para fazer o elevador subir.
Uma curiosidade sobre o dia: hoje serão filmadas a primeira e a última cenas do filme. Exatamente a abertura e o encerramento. Duas cenas de forte impacto.
Pouco antes do almoço, Ângelo Antônio chega ao set – para seu último dia como Chico Xavier. Encontra-se com Matheus Rocha – que também diz adeus a seu Chiquinho hoje – e assiste a uma das cenas de Nelson.
Sobre trabalhar com Daniel Filho: “Foi um aprendizado. Já tínhamos trabalhado juntos na TV, e em A justiceira ele me disse: você é do cinema. O olhar dele pra tudo é impressionante. E ele foi muito generoso: plantou uma semente e me deixou livre pra colher. Foi bom jogar com Daniel. Dentro e fora de campo.”
Outra pergunta se refere à semelhança entre o ator e um médium. Existe? “Todos nós somos antenas, alguns mais, outros menos preparados para receber sinais. A forma como traduzimos isso é que talvez faça a diferença da linguagem simbólica entre o ator e o médium. A gente vai atrás dessas conexões com o inconsciente coletivo, com o sentimento e a emoção.” Isso é um pouquinho de Ângelo Antônio – e um pouquinho do que ele emprestou ao seu Chico. O resto, só no making of…
Outra despedida sentida por todo mundo foi a de Matheus Costa, 11 anos, que além de encantar a equipe com seu profissionalismo e talento, cativou a todos pelo jeitinho educado e alegre, sempre receptivo a um bom papo ou a uma brincadeira. Matheus esteve no set para rodar a última cena do dia, em que os três Chicos – de alguma maneira – se encontram (é claro que como isso acontece é um segredo de estado…).
A equipe se transfere para o estúdio B da Herbert Richers. Ao chegar lá, Daniel mostra, discretamente, a Ângelo e Matheus, um pequeno “filme sobre o filme”, feito para a Secretaria de Cultura de Paulínia. Sem fins promocionais, o filmete é como um trailer, com algumas cenas já editadas das várias fases de Chico. Só que o boca-a-boca faz o Video Assist encher. Ao final, eram mais de 30 pessoas assistindo – e aplaudindo essa primeira amostra do que será o filme depois de pronto. Elevador cheio. Mas dessa vez passa…E então a festa de despedida. Daniel vai para o centro do estúdio com o já tradicional buquê de flores na mão. Aliás, dois buquês: um para Ângelo, outro para Matheus. “Terminam o filme hoje dois grandes atores, para quem eu peço o que vocês sabem fazer de melhor!”, e o set veio abaixo, com uma salva de palmas emocionada de dois minutos. Ângelo levanta o buquê como um corredor de Fórmula 1 levanta o troféu ao final da corrida; Matheus, como se tivesse acabado de fazer um gol. “Foi um privilégio trabalhar com você”, diz o experiente operador de câmera Gil Otero ao pequeno Matheus. “Você é campeão, viu? Não mude!”, aconselha Daniel ao menino, e depois cochicha alguma coisa no ouvido de Ângelo. Um agradecimento ao pé do ouvido entre diretor e um de seus protagonistas…
Os ‘campeões’ Ângelo Antônio e Matheus Costa, aplaudidos por Daniel Filho e por toda a equipe, que se despediu dos dois, emocionadaUm último momento do dia de hoje: desde o início das filmagens, houve quem cultivasse a expectativa quanto a manifestações mágicas ou inexplicáveis no set, por conta do tema e do personagem do filme. Para a frustração ou surpresa de muitos, nada aconteceu. Até hoje.
Pouco depois de apresentar o trailer para Paulínia, e ao iniciar a última cena do dia (e do filme), com os três Chicos presentes no estúdio, um forte cheiro de rosas foi sentido por algumas pessoas da equipe: a continuísta Glaucia Pellicione, a maquiadora Rose Verçosa, a assistente de câmera Silvia Gangemi e o produtor-executivo Julio Uchôa. Num cantinho do set à meia-luz, logo atrás do Video Assist onde estava o diretor – e que exibia, nos três monitores, o Chico criança, o Chico jovem e o Chico maduro. Rosas…





























