sexta-feira, 5 de outubro de 2007

BIOGRAFIA - EURÍPEDES BARSANULFO



Eurípedes Barsanulfo - Nascido em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesmo cidade, aos 38 anos de idade, em 1o. de novembro de 1918.

Logo cedo manifestou-se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.

Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.

Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.

Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.

Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida.

Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.

Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando- se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando- o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.

A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famí1ias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.

Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo.
Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social. Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.

Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.

Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.

Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.

No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.

A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.

O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.

Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.

Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.

Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.

Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1º de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.

Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.

BIOGRAFIA - CAÍBAR SCHUTEL



Caírbar Schutel - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 22 de setembro de 1868 e desencarnado em Matão, Estado de S. Paulo, no dia 30 de janeiro de 1938.

No dealbar do século XX, quando eram ensaiados os primeiros passos no grandioso programa de divulgação do Espiritismo, e quando a Doutrina dos Espíritos era vista como uma novidade que vinha abalar os conceitos até então prevalecentes sobre a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, dentre os pioneiros da época, surgiu um vulto que se destacou de forma inusitada, fazendo com que a difusão da nova Doutrina tivesse uma penetração até então desconhecida.

O nome desse seareiro era Caírbar de Souza Schutel, nome esse que se impôs, em pouco tempo, ao respeito e consideração de todos. Ele jamais esmoreceu no propósito de fazer com que a nova revelação, que vinha fazer o mundo descortinar novos horizontes e prometia restaurar, na Terra, as primícias dos ensinamentos legados por Jesus Cristo quase vinte séculos antes, pudesse conquistar os corações dos homens, implantando-se na face do nosso planeta como uma nova força cujo objetivo básico era de extirpar o fantasma do materialismo avassalador.

Biografar um vulto dessa estirpe não é fácil tarefa, uma vez que as suas atividades não conheciam limitações nem eram bitoladas por conveniências de grupos ou de pessoas. Conseqüentemente, tudo aquilo que se disser sobre Caírbar Schutel não passa de uma súmula muito apagada de uma vida cheia de lutas, de percalços e sobretudo de ardente idealismo.

Caírbar de Souza Schutel, aos nove anos de idade, ficava orfão de pai e, seis meses após, de mãe. Seu avô, Dr. Henrique Schutel, interessou-se pela sua educação, matriculando-o no Colégio Nacional, depois Colégio D. Pedro II, onde estudou durante dois anos.

Animado de novos propósitos, abandonou os estudos e a casa do avô, passando a trabalhar como prático em farmácia, o que fez com que, aos 17 anos de idade já se tornasse respeitável profissional desse ramo. Nessa época abandonou a antiga Capital Federal e rumou para o Estado de S. Paulo, onde se localizou primeiramente em Piracicaba e logo após em Araraquara e Matão. Esta última cidade era então um lugarejo muito singelo, com poucas casas e dependendo quase que exclusivamente do comércio de Araraquara, a cujo município pertencia.

Nessa humilde cidade, Caírbar Schutel acalentou o propósito de servir à coletividade, o que fez com que batalhasse arduamente para que Matão subisse à categoria de Município. Conseguindo colimar esse desiderato, foi eleito seu primeiro Prefeito (na época chamado Intendente), cargo que ocupou por duas vezes, a primeira de 28 de março a 07 de outubro de 1899, voltando a exercê-lo de 18 de agosto a 15 de outubro de 1900, conforme consta das atas e dos registros históricos da municipalidade matonense.

Homem dotado de ilibado caráter, de ampla visão e de grande humildade, conseguiu conquistar os corações de todos. Na política não enfrentava obstáculos. Deve-se a ele a edificação do prédio da Câmara Municipal, o que fez com seus próprios recursos financeiros.

A política, no entanto, não era o seu objetivo, por isso, tão logo ele teve a sua Estrada de Damasco, representada pela sua conversão ao Espiritismo, abandonou esse campo, passando a dedicar-se inteiramente à nova Doutrina.

Católico romano por tradição familiar, batizado aos 7 anos de idade, cumpria suas obrigações perante a Igreja de Roma. Entretanto, já adulto e vivendo em Matão, passou a receber, em sonhos, a visita constante de seus falecidos pais, porque ele ficara órfão de ambos com menos de 10 anos de idade. Insatisfeito com as explicações de um padre para o fenômeno, Schutel procurou Quintiliano José Alves e Calixto Prado, que realizavam reuniões de práticas espíritas domésticas, logrando então entender a realidade do mundo extrafísico. Desse contato Caírbar ficou bastante impressionado com uma mensagem mediúnica de elevado cunho espiritual, recebida por seu intermédio. Juntos, os três realizavam sessões de tiptologia com a trípode (pequena mesa com três pés).

Em seguida a esse episódio, Caírbar integrou-se no conhecimento das obras fundamentais da Doutrina Espírita e, tão logo se sentiu compenetrado daquilo que ela ensina, fundou, no dia l5 de julho de 1904, o primeiro núcleo espírita da cidade e da zona, denominando-o "Centro Espírita Amantes da Pobreza", hoje denominado Centro Espírita O Clarim.

Não satisfeito com essa arrojada realização, no mês de agosto de 1905 - o "Bandeirante do Espiritismo", como ficou conhecido Caírbar Schutel - lançou a primeira edição do jornal "O Clarim", órgão esse que vem circulando desde então e que se constituiu, de direito e de fato, num dos mais tradicionais e respeitáveis veículos da imprensa espírita. A princípio em formato pequeno, que logo se ampliou, atingindo sua tiragem neste século XXI a 10.000 exemplares.

Além disso, o incansável arauto da Boa Nova foi pioneiro no lançamento de programas espíritas pelo radio. Com todas as dificuldades da época e da região, viajava semanalmente até a cidade de Araraquara para proferir, aos domingos, as suas famosas 15 "Conferências Radiofônicas", pela Rádio Cultura de Araraquara (PRD - 4), no período de 19 de agosto de 1936 a 02 de maio de 1937, uma série de palestras que mais tarde publicou num volume de 206 páginas.

Numa época quando pontificava verdadeira intolerância religiosa e quando o Espiritismo e outras religiões sofriam o impacto da ação exercida pela religião majoritária, Caírbar Schutel também teve o seu Calvário: um sacerdote reacionário e profundamente intolerante, resolveu promover gestões no sentido de fechar as portas do Centro Espírita, usando como arma ardilosa uma campanha persistente no sentido de fazer com que a farmácia de Caírbar fosse boicotada pelo povo.

Com o apoio do delegado de polícia, conseguiu deste a ordem para o fechamento do Centro onde se difundia o Espiritismo. Caírbar Schutel, no entanto, não era dos que se intimidam e, contra o padre e o delegado, levantou a barreira da sua autoridade moral e da sua coragem. A ordem do delegado não foi respeitada por atentar contra a letra da Constituição Federal de 1891, e o valoroso espírita foi à praça pública protestar contra tamanho desrespeito. O padre, não tolerando aquela manifestação promovida por Caírbar, também promoveu uma passeata de desagravo. Outros sacerdotes, nessa época, já estavam em Matão, apregoando a necessidade de se manter o "herético" circunscrito, de nada se adquirirem sua farmácia, e, sobretudo proibindo a todos a freqüência ao Centro Espírita.

Em face da tremenda pressão exercida, Caírbar anunciou que falaria ao povo em praça pública, refutando ponto por ponto todas as acusações gratuitas que lhe eram atribuídas pelos sacerdotes. O delegado proibiu-o de falar. Caírbar não acatou a proibição do delegado e, estribando-se na Constituição, dirigiu-se para a praça pública, falando aos poucos que, não temendo as represálias do padre, tiveram a coragem de lá comparecer. Este, por sua vez, expressou a idéia de que, se a liberalíssima Constituição brasileira permitia esse direito a Caírbar, a Igreja de forma alguma consentiria e, aliciando um grupo de homens fanatizados, marchou para a praça pública, cantando hinos e cantorias fúnebres, portando, além disso, vários tipos de armas. O objetivo da procissão noturna era de abafar a voz do orador e atemorizar o povo.

Essa barulhenta manifestação provocou a repulsa de algumas pessoas cultas da cidade, as quais, dirigindo-se à praça, pediram a aquiescência do orador para, de público, manifestarem a desaprovação àquelas manifestações e responsabilizando o padre pelas conseqüências danosas daquele desrespeito à Carta Magna, afirmando que o orador tinha todo o direito de falar e de se defender. Diante dessa reação, o padre ficou assombrado e decidiu dispersar os acompanhantes, o que possibilitou a Caírbar prosseguir na defesa dos seus direitos e dos seus ideais.

Caírbar sabia ser amigo até dos seus próprios inimigos. Sempre inspirava simpatia e respeito. Sempre feliz no seu receituário, tornou-se, dentro em pouco, o Médico dos Pobres e o Pai da Pobreza, de Matão. Além de prescrever o medicamento, ele o dava gratuitamente aos necessitados. Sua residência tomou-se um refúgio para os pobres da cidade. Muitas pessoas eram socorridas pela sua generosidade. Muitos recebiam socorros da mais variada espécie, em víveres, em roupas e sobretudo assistência espiritual.

O sentimento de amor ao próximo teve nele incomparável paradigma. Estava sempre solícito e pronto para socorrer um enfermo ou um obsediado. Atos de renúncia e de desapego eram comuns em sua vida. Sua residência chegou a ser transformada em hospital de emergência para doentes mentais e obsediados. Em vista do crescente número de enfermos, em 1912 alugou uma casa mais ampla, na qual tratava com maiores recursos e com mais liberdade todos aqueles que apelavam para a sua ajuda fraternal.

No dia 15 de fevereiro de 1925, lançou o primeiro número da "Revista Internacional de Espiritismo", órgão que desde então vem circulando sem solução de continuidade.

Quando foi rasgada a Constituição ultra-liberal de 1891, Caírbar Schutel foi à praça pública apoiando a Coligação Nacional Pró- Estado Leigo, entidade fundada no Rio de Janeiro pelo Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes. Nesse propósito combateu sistematicamente a pretensão, esposada por alguns grupos, de se introduzir o ensino religioso obrigatório nas escolas. Certa vez programou uma reunião num cinema de cidade vizinha para abordar esse tema. Na hora aprazada ali estavam apenas alguns dos seus amigos, dentre eles José da Costa Filho e João Leão Pitta. Caírbar não se perturbou. Mandou comprar meia dúzia de foguetes e soltou-os à porta do cinema. Daí a 20 minutos o recinto estava repleto.

Durante muito tempo manteve uma secção de crônicas e reportagens no "Correio Paulistano" e na "Platéia", antigos órgãos da imprensa leiga.

Sua bibliografia é bastante vasta, dela destacamos as seguintes obras escritas entre 1911 e 1937: "Espiritismo e Protestantismo", "Histeria e Fenômenos Psíquicos", "O Diabo e a Igreja", "Médiuns e Mediunidade", "Gênese da Alma", "Materialismo e Espiritismo", "Fatos Espíritas e as Forças X", "Parábolas e Ensinos de Jesus", "O Espírito do Cristianismo", "A Vida no Outro Mundo", "Vida e Atos dos Apóstolos", "Conferências Radiofônicas", "Cartas a Esmo" e "Interpretação Sintética do Apocalipse". Para publicá-los, Schutel não mediu esforços: adquiriu máquinas, papel, tinta, cola e outros insumos para impressão, procurando escolher sempre material de primeira categoria. Desse esforço surgiu a Casa Editora O Clarim, que hoje emprega inúmeros funcionários em Matão, tendo publicado mais de cem títulos de obras de renomados autores, encarnados e desencarnados.

Consciente de sua responsabilidade como cidadão, cuidou de regularizar a sua união com Dª. Maria Elvira da Silva e Lima, com ela se casando no dia 31 de agosto de 1905; o casal Schutel não teve filhos carnais, porém sua dedicação aos semelhantes ficou indelevelmente marcada na história de Matão, uma vez que ambos jamais deixaram de atender aqueles que os procuravam.
Depois de curta enfermidade, Caírbar Schutel faleceu em Matão, no dia 30 de janeiro de 1938. Durante e após suas exéquias, inúmeras pessoas de Matão, das cercanias, do Estado de São Paulo e de diversas regiões do Brasil prestaram-lhe comovente tributo de gratidão e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, tendo certamente cumprido a sua missão.

Caírbar Schutel foi um homem de fé, orador convincente, trabalhador infatigável, dinâmico, realizador e portador dos mais vivificantes exemplos de virtude cristã.

Dizem algumas comunicações mediúnicas que o Espírito Caírbar Schutel está, no mundo espiritual, encarregado pela divulgação do Espiritismo na Terra; sendo confirmada tal informação, essa nobre tarefa está muito dirigida, porque o movimento espírita deve muito ao querido "Bandeirante do Espiritismo", assim como à sua digníssima esposa Dª. Maria Elvira da Silva Schutel, pois, como diz a sabedoria popular, ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher!

BIOGRAFIA - BATUÍRA


Antônio Gonçalves da Silva Batuíra - Nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909.

Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.

Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.

Durante três anos trabalhou no comércio da Corte. Daí passou para Campinas-SP, onde ficou por algum tempo até que se transferiu definitivamente para a capital paulista, que na ocasião deveria possuir menos de 30.000 habitantes. Aí, nos primeiros anos, foi distribuidor do "Correio Paulistano". Naquele tempo, não havia bancas de jornais nos lugares públicos. A entrega se fazia à tarde, de casa em casa, e tão somente aos assinantes.

Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.

Dentro de pouco tempo, com as economias que reuniu, e naturalmente com o auxilio de pessoas amigas, montou um teatrinho nos fundos de uma taverna da rua Cruz Preta. Naquela modesta casa de espetáculos, muitos amadores fizeram sua estréia, inclusive Batuíra.

Perseverando na sua faina, dedicou-se depois à fabricação de charutos. Assim, com bastante trabalho e economia, Batuíra fazia crescer suas modestas finanças, o que lhe permitiu esposar a Srta. BRANDINA MARIA DE JESUS, de quem teve um filho, JOAQUIM GONÇALVES BATUÍRA, que veio a falecer depois de homem feito e casado.

Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita, que ainda lá está.

Na ocasião em que tudo parecia correr bem, falece, quase repentinamente, o filho único de sua Segunda esposa, D. MARIA DA DORES COUTINHO E SILVA. Era uma criança de doze anos, por quem o casal se extremava em dedicação e carinho.

Este golpe feriu profundamente aquele lar, que só pode encontrar lenitivo à dor na consoladora Doutrina dos Espíritos.

Tão grande foi a paz que o Espiritismo lhes infundiu, que Batuíra imediatamente pôs mãos à obra, no desejo ardente de que outros companheiros de labutas terrenas tivessem conhecimento daquela abençoada fonte de esperanças novas. E dentro daquele corpo baixo e de compleição robusta, um coração de ouro iria dar mais larga expansão aos seus nobres sentimentos de amor ao próximo.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do Céu.

No ano de 1.889, Batuíra passou a ser, na cidade de S. Paulo, o agente exclusivo do "Reformador", função de que se encarregou até 1.899 ou 1.900.

Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- responsável até a data de sua desencarnação. A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.

Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra 1amentou- se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta". Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".
Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.

Batuíra era também médium curador, sendo centenas as curas de caráter físico e espiritual que obtinha ministrando água efluviada ou aplicando "passes magnéticos".

Em virtude de todos esses fatos, o povo, o mais beneficiado por Batuíra, passou a denominá-lo "Médico dos Pobres", cognome que igualmente aureolou o nome de Adolfo Bezerra de Menezes.
A ação benemérita de Batuíra não se circunscrevia, entretanto a estas manifestações da caridade cristã. Foi muito mais além. Criou ele Grupos e Centros espíritas em S. Paulo, Minas Gerais, Estado do Rio, os quais animava e assistia; realizou conferências sobre diversos temas doutrinários, em inúmeras cidades de vários Estados, ocasião em que também visitava e curava irmãos sofredores; espalhou gratuitamente prospectos e folhetos de propaganda do Espiritismo, por ele próprio impressos, e distribuiu milhares de livros pelo interior do País.

Batuíra, unido a outros confrades ilustres, constituiu na capital paulista, a 24 de Maio de 1.908, a "União Espírita do Estado de S. Paulo", que federaria todos os Centros e Grupos existentes no Estado.Assim era o valoroso obreiro da Terceira Revelação, o incansável lidador que nunca se deixou abater pelas asperezas da jornada, tendo sido incontestavelmente um dos maiores propagandistas do Espiritismo no Brasil.

Carregando sobre os ombros muitas responsabilidades, não sentiu, tão preso se achava ao cumprimento dos seus deveres, que suas forças vitais se esgotavam rapidamente. Súbita enfermidade assalta-lhe o corpo e zombando de todos os recursos médicos, em poucos dias obriga-o a transpor as aduanas do além. Aos 22 de Janeiro de 1.909, Sexta-feira, cerca de uma hora da madrugada, faleceu Sr. ANTÔNIO GONÇALVES DA SILVA BATUÍRA.

Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.

HISTORIA DO ESPIRITISMO NO BRASIL

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO NO BRASIL



Prezados irmãos,

antes de iniciarmos nossa série de biografias de grandes vultos espíritas do Brasil, cumpre apresentar um breve resumo de como a Doutrina Espírita iniciou sua atuação em solo brasileiro.
Essa questão muitas vezes nos vem a mente, pois compreendendo a situação política em que vivíamos à época e as dificuldades inerentes à distância Brasil-Europa, ficamos a imaginar de que forma a Espiritualidade utilizou para propagar a Boa Nova em nosso país.


PRIMEIROS PASSOS DO ESPIRITISMO NO BRASIL

1. PUBLICAÇÃO NA IMPRENSA DA ÉPOCA

Zêus Wantuil, em seu livro As Mesas Girantes e o Espiritismo, busca dados na imprensa da época, ou seja, no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, no Diário de Pernambuco e no Cearense relatos sobre os acontecimentos das "mesas girantes" na Europa e no Brasil.

No dia 14/06/1853 é publicado, na seção exterior do Jornal do Comercio do Rio de Janeiro, notícias sobre as "mesas girantes", fatos que estão empolgando principalmente os Estados Unidos e Europa. (1957, p.125)

No dia 02/07/1853, o Diário de Pernambuco, em sua seção "Exterior", de notícia procedente de Paris, e datada de 20 de maio , contava o correspondente que "não se pode por o pé em um salão, sem ver toda a sociedade em torno de uma mesa redonda, tendo cada um o dedo mínimo apoiado no do vizinho, e esperando todos em silêncio que a tábula queira voltear". (1957, p.127)

No dia 15/07/1853, o jornal O Cearense transcreve a primeira notícia sobre as mesas girantes, nos seguintes termos: "Apareceu agora em França um fato que despertou sumamente a curiosidade pública: quero falar-lhes das tábulas volteantes (tables tornantes) que embora tenham sido inventadas na América inglesa, os franceses deram carta de naturalização..." (1957, p. 134)


2. 1.ª SESSÃO ESPÍRITA

Em 17/09/1865 —Salvador, Bahia —, é instalado o "Grupo Familiar do Espiritismo", o primeiro Centro Espírita do Brasil e, às 20h30min, Luís Olímpio Teles de Menezes preside a uma sessão mediúnica, onde se recebe a primeira página psicografada e assinada por "Anjo Brasil".

Em julho de 1869, para melhor defender e propagar o Espiritismo, duramente atacado pelo clero e imprensa de Salvador, Luís Olímpio Teles de Menezes publica "O Echo D’Além-Tumulo" — Monitor Do Espiritismo no Brasil, o primeiro jornal espírita do Brasil. (Barbosa, 1987, p. 70 e 71)


3. GRUPO CONFÚCIO

Funda-se em 02/08/1873, por inspiração do Espírito Ismael, a "Sociedade de Estudos Espíritas — Grupo Confúcio", que pelo seu regulamento deveria seguir os princípios e as formalidades expostas em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns. Sua divisa era: "Sem caridade não há salvação; sem caridade não há verdadeiro espírita". Extingue-se em 1876.

Composto de neo-espiritualistas, este grupo tinha a incumbência de:

1 - traduzir as obras de Allan Kardec;
2 - divulgar a homeopatia;
3 - escolher o protetor espiritual do Brasil.

Joaquim Carlos Travassos faz parte desse grupo. Traduz O Livro dos Espíritos para o português e passa-o a Adolfo Bezerra de Menezes, que lendo-o pela primeira vez, pareceu-lhe que já lhe era familiar o conteúdo deste livro. (Barbosa, 1987, p.73 e 74)


4. FATOS IMPORTANTES

1876

Funda-se no Rio de Janeiro, em 23 de março, a Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade.

Em Silveira (MG), no dia 30 de julho, o médium Ernesto Castro recebe o espírito de Estevam Mongolfier, que fala sobre o futuro inventor do avião (o brasileiro Santos Dumont,)

1883

Inicia-se, em 21 de janeiro, a publicação de O REFORMADOR, fundado por Augusto Elias da Silva.

1884

Em 1º de janeiro, funda-se a FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

Em 16 de agosto, no Rio de Janeiro, o Dr. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES proclama as suas convicções espíritas e passa a trabalhar intensamente no campo doutrinário.


5. HOMEOPATIA E PASSES MAGNÉTICOS

Por volta de 1840, ao influxo das falanges do Alto, chegavam dois médicos humanitários ao Brasil. Eram Bento Mure e Vicente Martins, que fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação kardeciana, conheciam ambos os transes mediúnicos e o elevado alcance da aplicação do magnetismo espiritual. (Xavier, 1977)

Por que essa relação entre Homeopatia e Espiritismo?

A ligação entre a Homeopatia e o Espiritismo pode ser vista da seguinte forma: na Homeopatia a ação dos medicamentos não é de natureza material, química, mas sim de ordem dinâmica, fluídica; no Espiritismo consideramos a trindade universal – Deus, Espírito e Matéria – e acrescentamos o períspirito, transformação do fluido universal, a fim de se poder unir o Espírito à matéria. Como o Perispírito está ligado átomo a átomo, célula a célula ao corpo físico, tudo o que passa num, repercute imediatamente no outro. Nesse sentido, o equilíbrio funcional do perispírito pode ser perturbado por agentes fluídicos, da mesma natureza portanto que ele, e essa perturbação, repercutindo no corpo físico, torna-o também enfermo. Do mesmo modo, pela ação de elementos também fluídicos, porém, salutares, pode normalizar-se o perispírito e, consequentemente, o organismo material, intimamente ligado a ele, volve ao seu normal funcionamento. (Thiago, 1983, p. 11 a 13)


6. MOVIMENTO ESPÍRITA NA ATUALIDADE

Cairbar Schutel (1868-1938), cognominado de bandeirante do Espiritismo, sendo um homem de fibra e de coragem, é colocado como um dos baluartes do Espiritismo. Dizia que sua tarefa estava limitada à divulgação da missão kardecista. Assim, inspirado na figura de Paulo de Tarso, empreendeu uma luta contra os dogmas da Igreja.

Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), famoso pelos seus desdobramentos, contribuiu eficazmente para a causa espírita. Não mediu esforços para a divulgação do Espiritismo, inclusive com ameaça de morte por parte de seus adversários.

Francisco Cândido Xavier é, talvez, o mais eminente divulgador da Doutrina Espírita. Nasceu, no dia 02 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. Aos 5 anos de idade, já conversava com o Espírito de sua mãe (desencarnada). Com mais de 400 livros psicografados (muitos dos quais, hoje, traduzidos e editados em várias línguas), presume-se que o autor tenha ficado mais de 11 anos em transe mediúnico. O Espírito Emmanuel (que já reencarnou como Públio Lêntulus, senador romano da antigüidade, e como Padre Manoel da Nóbrega), é o seu guia protetor.

Além desses nomes podemos citar J. H. Pires, Yvone A. Pereira, Divaldo Pereira Franco e outros.


7. CONCLUSÃO Estamos mundialmente entrelaçados: o que acontece num país, o outro fica logo sabendo. Muitas vezes descobre-se algo num país, mas é em outro que vemos o seu desenvolvimento. O Espiritismo é um exemplo prático. Nascido em França, teve o seu florescimento em nossa pátria. Hoje, não são poucos os adeptos brasileiros desta doutrina esclarecedora do mundo invisível.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Paz...(Mensagem de Outubro/2007)

Irmãos,

Iniciamos mais um mês em nossa romagem terrena, e neste Outubro, estaremos iniciando a nova série de Biografias, agora de Espíritas brasileiros que marcaram nossa história.
Anteriormente, buscamos trazer toda a informação de que encontramos sobre aquelas personalidades que influenciaram o Espiritismo Nascente ou que colaboraram na formação de um ambiente propício para este eclodir.
Agora vamos passar para aqueles indivíduos responsáveis pela irradiação do Movimento Espírita pelo País, fazendo que hoje o Brasil seja o maior País Espírita do Mundo!


Convite à Paz

Livro: Convites da Vida Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

"A paz vos deixo, a minha paz vou dou." [João: 14-27] .
Estrugem conflitos quais fogos que apresentam os pavios acesos, e, espalhados espoucam, gerando tumulto e alucinação. Revoltas injustificáveis geram animosidades improcedentes, que se espalham mefíticas intoxicando quantos se encontram no raio de ação.
Expectativas funestas que resultam do pessimismo contumaz nutrido por mensageiros do equívoco, enredando incautos em corrente contínua de desespero.

Exaltação por nada flui de todos os lados, passando a energia de alta tensão que descarrega cólera e ira em elevada voltagem que fulmina a curto como a longo prazo. Ansiedades pela aquisição de valores sem valor real, produzem contínua perturbação que afeta o sistema emocional dando curso a insidiosas enfermidades de conseqüências funestas.

E outras poderosas constrições produzidas pela invigilância de cada um, afligindo de fora para dentro como de dentro para fora, sem ensejar momentos de paz, de asserenamento, de renovação...

... E conflitos do homem em si mesmo, conflitos do lar, conflitos do trabalho, conflitos da comunidade redundando em guerras de extermínio entre os povos como decorrência das lutas irreprimidas e descontroladas em cada criatura e de cada criatura em relação ao próximo.
E é tão fácil a comquista da paz!

Basta que não ambiciones em demasia, que corrijas os ângulos da observação da vida, que ames e perdoes, que te entregues às mãos de Deus que cuida das "aves do céu" e dos "lírios do campo" e que, por fim, cumpras fielmente com os teu deveres.

Ninguém está em regime de exceção como pessoal alguma se encontra em abandono, em situação nenhuma, na Terra ou fora dela. Realiza o teu oásis interior e não te escravizes às coisas insignificantes, antes, luta com as armas da paciência e da confiança a fim de conquistares esse tesouro incomparável que é a paz.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

BIOGRAFIA - ERNESTO BOZZANO

Ernesto Bozzano


Nasceu em 9/01/1862, em Gênova, Itália e desencarnou em 24/06/1943, na mesma localidade.

Positivista dos mais eméritos, Bozzano apaixonou-se por todos os ramos do saber humano, entregrando-se ao estudo dos grandes filósofos. Dos postulados materialistas passou a esposar uma forma de materialismo dos mais intransigentes, o que levou a declarar mais tarde: "Fui positivista-materialista a tal ponto convencido, que me parecia inverossímel pudessem existir pessoas cultas, dotadas normalmente de sentido comum, que pudessem crer na existência e sobrevivência da alma".

Mais que experimentador foi um pesquisador, organizador e comentador (sob este aspecto freqüentemente considerado pouco crítico) dos fenômenos relativos à riquíssima literatura metapsíquica do seu tempo, na qual a relação dos visionários, dos crédulos, dos mitômanos e dos charlatães era, por larga margem, mais numerosa que a dos estudiosos sérios.

Dedicou-se primeiramente à filosofia científica, interessando-se sobretudo pelas idéias do inglês Herbert Spencer 1820-1903). Em 1891 começou a se ocupar da telepatia e do Espiritismo, assuntos que interessavam àquele tempo tanto estudiosos da Europa quanto da América. Neste ano o professor Ribot, diretor da "Revista Filsófica", informou-o do lançamento da revista "Anais das Ciências Psíquicas", dirigida pelo Dr. Darieux, sob a inspiração do professor Charles Richet. A sua primeira impressão sobre a revista foi desairosa, dado o fato de considerar verdadeiro escândalo a circunstância de representantes da ciência oficial discutirem seriamente a possibilidade da transmissão do pensamento de um a outro continente, da aparição de fantasmas e das casas mal-assombradas. O prof. Rosenbach de Peterburgo escrevera violento artigo na "Revista Filósofica", contra a introdução desse novo misticismo no domínio da psicologia oficial. Na edição subsequente, Richet refutou ponto por ponto, as afirmações errôneas de Rosenbach e as suas inconsistentes considerações, tendo esse artigo o mérito de convencer Bozzano. Nesses mesmos dias aparecia o famoso livro de Gurney, Podmore e Myers: "Fantasmas dos Vivos", relatando grande número de casos devidamente controlados e bem documentados. Os últimos resquícios de dúvida de Bozzano em torno da crença na existência de fenômenos telepáticos foram assim dissipados. Daí por diante dedicou-se, com fervor, ao estudo dos fenômenos espíritas, através das obras de Kardec, Léon Denis, Delanne, Gibier, Crookes, Wallace e outros.

Formou um grupo com a participação do dr. Giuseppe Venzano, Luigi Vassalo e os professores Enrique Morselli e francisco Porro, da Universidade de Genova. No decurso de cinco anos consecutivos, esse grupo deu o que falar à imprensa italiana e estrangeira, pois praticamente havia se obtido a realização de quase todos os fenômenos, culminando com a materialização de seis espíritos perfeitamente visíveis, e com a mais rígida comprovação.

Dentre as mais de trinta e cinco obras escritas, citamos “A Crise da Morte”, A Hipótese Espírita e as teorias Científicas”, “Animismo ou Espiritismo”, “Comunicações Mediúnicas entre Vivos”, “Pensamento e Vontade”, “Fenômeno de Transfiguração”, “Metapsíquica Humana”, “Os Enigmas da Psicometria”, “Fenômenos de Talestesia”, etc.

O seu devotamento ao trabalho fez com que se tornasse, de direito e de fato, um dos mais salientes pesquisadores dos fenômenos espíritas, impondo-se pela projeção do seu nome e pelo acendrado amor que dedicou à causa que havia esposado e que havia defendido com todas as forças de sua convicção inabalável.

Um fato novo veio contribuir para robustecer a sua crença no Espiritismo.
A desencarnação de sua mãe, em julho de 1912, serviu de ponte para demonstração da sobrevivência da alma.

Bozzano realizava nessa época sessões semanais com um reduzido grupo e com a participação de famosa médium.

Realizando uma sessão na data em que se dava o transcurso do primeiro ano da desencarnação de sua genitora, a médium escreveu umas palavras num pedaço de papel, as quais, depois de lidas por Bozzano o deixara assombrado.
Ali estavam escritos os dois últimos versos do epitáfio que naquele mesmo dia ele havia deixado no túmulo de sua mãe.

Até sua morte, esse estudioso solitário, que tinha dedicado grande parte da sua vida à tentativa de dar ao espiritismo um caráter científico, deixou uma biblioteca de metapsíquica das mais ricas da Europa, hoje conservada pela "Fondazione Biblioteca Bozzano - De Boni", de Bolonha.
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Obras Principais:
(alguns dos títulos listados são publicações póstumas)
  • Hipótese espírita e teoria científica, 1903;
  • Dos casos de identificação espírita, 1909;
  • Em defesa do Espiritismo, 1927;
  • A Crise da Morte, 1930-52;
  • Investigação sobre as manifestações supranormais, 1931-40;
  • Xenoglossia, 1933;
  • Dos fenômenos de bilocação, 1934;
  • Dos fenômenos de possessão, 1936;
  • Animismo ou espiritismo?, 1938;
  • Povos primitivos e manifestações paranormais, 1941-46;
  • Dos fenômenos de telestesia, 1942;
  • Música transcendental, 1943;
  • De mente a mente, 1946;
  • Os mortos voltam, 1947;
  • Literatura de além-túmulo, 1947;
  • As visões dos moribundos, 1947;
  • Luzes no futuro, 1947;
  • Guerra e profecias, 1948;
  • A psique domina a matéria, 1948;
  • Os animais têm alma?, 1950;
  • Pensamento e vontade, 1967;
  • Os fenômenos de transfiguração, 1967.

BIOGRAFIA - AMÉLIE BOUDET

Amélie Gabrielle Boudet


Madame Rivail (Sra. Allan Kardec) nasceu em Thiais, cidade do menor e mais populoso Departamento francês – o Sena, aos 2 do Frimário do ano IV, segundo o Calendário Republicano então vigente na França, e que corresponde a 23 de Novembro de 1795.

Filha de Julien-Louis Boudet, proprietário e antigo tabelião, homem portanto bem colocado na vida, e de Julie-Louise Seigneat de Lacombe, recebeu, na pia batismal o nome de Amélie-Gabrielle Boudet.

A menina Amélie, filha única, aliando desde cedo grande vivacidade e forte interesse pelos estudos, não foi um problema para os pais, que, a par de fina educação moral, lhe proporcionaram apurados dotes intelectuais.

Após cursar o colégio primário, estabeleceu-se em Paris com a família, ingressando numa Escola Normal, de onde saiu diplomada em professora de 1a. classe.

Revela-nos o Dr. Canuto de Abreu que a senhorinha Amélie também foi professora de Letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o desenho. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras, assim nomeadas: “Contos Primaveris”, 1825; “Noções de Desenho”, 1826; “O Essencial em Belas Artes”, 1828.

Vivendo em Paris, no mundo das letras e do ensino, quis o Destino que um dia a Srta. Amélie Boudet deparasse com o Professor Hippolyte Denizard Rivail.

De estatura baixa, mas bem proporcionada, de olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz nos gestos e na palavra, denunciando inteligência admirável, Amélie Boudet, aliando ainda a todos esses predicados um sorriso terno e bondoso, logo se fez notar pelo circunspecto Prof. Rivail, em quem reconheceu, de imediato, um homem verdadeiramente superior, culto, polido e reto.

Em 6 de Fevereiro de 1832, firmava-se o contrato de casamento. Amélie Boudet, tinha nove anos mais que o Prof. Rivail, mas tal era a sua jovialidade física e espiritual, que a olhos vistos aparentava a mesma idade do marido. Jamais essa diferença constituiu entrave à felicidade de ambos.

Pouco tempo depois de concluir seus estudos com Pestalozzi, no famoso castelo suíço de Zahringen (Yverdun), o Prof. Rivail fundara em Paris um Instituto Técnico, com orientação baseada nos métodos pestalozzianos. Madame Rivail associou-se ao esposo na afanosa tarefa educacional que ele vinha desempenhando no referido Instituto havia mais de um lustro.

Grandemente louvável era essa iniciativa humana e patriótica do Prof. Rivail, pois, não obstante as leis sucessivas decretadas após a Revolução Francesa em prol do ensino, a instrução pública vivia descurada do Governo, tanto que só em 1833, pela lei Guizot, é que oficial e definitivamente ficaria estabelecido o ensino primário na França.

Em 1835, o casal sofreu doloroso revés. Aquele estabelecimento de ensino foi obrigado a cerrar suas portas e a entrar em liquidação. Possuindo, porém, esposa altamente compreensiva, resignada e corajosa, fácil lhe foi sobrepor-se a esses infaustos acontecimentos. Amparando-se mutuamente, ambos se lançaram a maiores trabalhos. Durante o dia, enquanto Rivail se encarregava da contabilidade de casas comerciais, sua esposa colaborava de alguma forma na preparação dos cursos gratuitos que haviam organizado na própria residência, e que funcionaram de 1835 a 1840.

À noite, novamente juntos, não se davam a descanso justo e merecido, mas improdutivo. O problema da instrução às crianças e aos jovens tornara-se para Prof. Rivail, como o fora para seu mestre Pestalozzi, sempre digno da maior atenção. Por isso, até mesmo as horas da noite ele as dividia para diferentes misteres relacionados com aquele problema, recebendo em todos a cooperação talentosa e espontânea de sua esposa. Além de escrever novas obras de ensino, que, aliás, tiveram grande aceitação, o Prof. Rivail realizava traduções de obras clássicas, preparava para os cursos de Lévi-Alvarès, freqüentados por toda a juventude parisiense do bairro de São Germano, e se dedicava ainda, em dias certos da semana, juntamente com sua esposa, a professorar as matérias estatuídas para os já referidos cursos gratuitos.

“Aquele que encontrar uma mulher boa, encontrará o bem e achará gozo no Senhor” - disse Salomão. Amélie Boudet era dessas mulheres boas, nobres e puras, e que, despojadas das vaidades mundanas, descobrem no matrimônio missões nobilitantes a serem desempenhadas.

Nos cursos públicos de Matemáticas e Astronomia que o Prof. Rivail bi-semanalmente lecionou, de 1843 a 1848, e aos quais assistiram não só alunos, que também professores, no “Liceu Polimático” que fundou e dirigiu até 1850, não faltou em tempo algum o auxilio eficiente e constante de sua dedicada consorte.

Todas essas realizações e outras mais, a bem do povo, se originaram das palestras costumeiras entre os dois cônjuges, mas, como salientou a Condessa de Ségur, deve-se principalmente à mulher, as inspirações que os homens concretizam. No que toca à Madame Rivail, acreditamos que em muitas ocasiões, além de conselheira, foi ela a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução. Aliás, é o que nos confirma o Sr. P. J. Leymarie ( que com ambos privara ) ao declarar que Kardec tinha em grande consideração as opiniões de sua esposa.

Graças principalmente às obras pedagógicas do professor Rivail, adotadas pela própria Universidade de França, e que tiveram sucessivas edições, ele e senhora alcançaram uma posição financeira satisfatória.

O nome Denizard Rivail tornou-se conhecido nos meios cultos e além do mais bastante respeitado. Estava aberto para ele o caminho da riqueza e da glória, no terreno da Pedagogia. Sobrar-lhe-ia, agora, mais tempo para dedicar-se à esposa, que na sua humildade e elevação de espírito jamais reclamara coisa alguma.

A ambos, porém, estava reservada uma missão, grandiosa pela sua importância universal, mas plena de exaustivos trabalhos e dolorosos espinhos.

O primeiro toque de chamada verificou-se em 1854, quando o Prof. Rivail foi atraído para os curiosos fenômenos das “mesas girantes”, então em voga no Mundo todo. Outros convites do Além se seguiram, e vemos, em meados de 1855, na casa da Família Baudin, o Prof. Rivail iniciar os seus primeiros estudos sérios sobre os citados fenômenos, entrevendo, ali, a chave do problema que durante milênios viveu na obscuridade.

Acompanhando o esposo nessas investigações, era de se ver a alegria emotiva com que ela tomava conhecimento dos fatos que descerravam para a Humanidade novos horizontes de felicidade. Após observações e experiências inúmeras, o professor Rivail pôs mãos à maravilhosa obra da Codificação, e é ainda de sua cara consorte, então com 60 anos, que ele recebe todo o apoio moral nesse cometimento. Tornou-se ela verdadeira secretária do esposo, secundando-o nos novos e bem mais árduos trabalhos que agora lhe tomavam todo o tempo, estimulando-o, incentivando-o no cumprimento de sua missão.

Sem dúvida, os espíritas, muito devemos a Amélie Boudet e estamos de acordo com o que acertadamente escreveu Samuel Smiles: os supremos atos da mulher geralmente permanecem ignorados, não saem à luz da admiração do mundo, porque são feitos na vida privada, longe dos olhos do público, pelo único amor do bem.

O nome de Madame Rivail enfileira-se assim, com muita justiça, entre os de inúmeras mulheres que a História registrou como dedicadas e fiéis colaboradoras dos seus esposos, sem as quais talvez eles não levassem a termo as suas missões. Tais foram, por exemplo, as valorosas esposas de Lavoisier, de Buckland, de Flaxman, de Huber, de Sir William Hamilton, de Stuart Mill, de Faraday, de Tom Hood, de Sir Napier, de Pestalozzi, de Lutero, e de tantos outros homens de gênio. A todas essas Grandes Mulheres, além daquelas muito esquecidas pela História, a Humanidade é devedora eterna!

Lançado O Livro dos Espíritos, da lavra de Allan Kardec, pseudônimo que tomou o Prof. Rivail, este, meses depois, a 1o. de Janeiro de 1858, com o apoio tão somente de sua esposa, deu a lume o primeiro número da “Revue Spirite”, periódico que alcançou mais de um século de existência grandemente benéfica ao Espiritismo.

Havia cerca de seis meses que na residência do casal Rivail, então situada à Rua dos Mártires n. 8, se efetuavam sessões bastante concorridas, exigindo da parte de Madame Rivail uma série de cuidados e atenções, que por vezes a deixavam extenuada. O local chegou a se tornar apertado para o elevado número de pessoas que ali compareciam, de sorte que em Abril de 1858 Allan Kardec fundava, fora do seu lar, a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”. Mais uma obra de grave responsabilidade!

Tomar tais iniciativas naquela recuada época, em que o despotismo clerical ainda constituía uma força, não era tarefa para muitos. Havia necessidade de larga dose de devotamento, firmeza de vistas e verdadeiro espírito de sacrifício.

Ao casal Rivail é que coube, apesar de todos os escolhos e perigos que se lhe deparariam em a nova estrada, empreender, com a assistência e proteção do Alto, a maior revolução de idéias de que se teve notícia nos meados do século XIX.

Allan Kardec foi alvo do ódio, da injúria, da calúnia, da inveja, do ciúme e do despeito de inimigos gratuitos, que a todo custo queriam conservar a luz sob o alqueire.

Intrigas, traições, insultos, ingratidões, tudo de mal cercou o ilustre reformador, mas em todos os momentos de provas e dificuldades sempre encontrou, no terno afeto de sua nobre esposa, amparo e consolação, confirmando-se essas palavras de Simalen: “A mulher é a estrela de bonança nos temporais da vida.”

Com vasta correspondência epistolar, proveniente da França e de vários outros países, não fosse a ajuda de sua esposa nesse setor, sem dúvida não sobraria tempo para Allan Kardec se dedicar ao preparo dos livros da Codificação e de sua revista.

Uma série de viagens ( em 1860, 1861, 1862, 1864, etc, ) realizou Kardec, percorrendo mais de vinte cidades francesas, além de várias outras da Suíça e da Bélgica, em todas semeando as idéias espíritas. Sua veneranda consorte, sempre que suas forças lhe permitiam, acompanhou-o em muitas dessas viagens, cujas despesas, cumpre informar, corriam por conta do próprio casal.
Parafraseando o escritor Carlyle, poder-se-ia dizer que Madame Allan Kardec, pelo espaço de quase quarenta anos, foi a companheira amante e fiel do seu marido, e com seus atos e suas palavras sempre o ajudou em tudo quanto ele empreendeu de digno e de bom.

Aos 31 de Março de 1869, com 65 anos de idade, desencarnava, subitamente, Allan Kardec, quando ultimava os preparativos para a mudança de residência. Foi uma perda irreparável para o mundo espiritista, lançando em consternação a todos quantos o amaram. Madame Allan Kardec, quer partilhara com admirável resignação as desilusões e os infortúnios do esposo, agora, com os cabelos nevados pelos seus 74 anos de existência e a alma sublimada pelos ensinos dos Espíritos do Senhor, suportaria qualquer realidade mais dura. Ante a partida do querido companheiro para a Espiritualidade, portou-se como verdadeira espírita, cheia de fé e estoicismo, conquanto, como é natural, abalada no profundo do ser.

No cemitério de Montmartre, onde, com simplicidade, aos 2 de Abril se realizou o sepultamento dos despojos do mestre, comparecia uma multidão de mais de mil pessoas. Discursaram diversos oradores, discípulos dedicados de Kardec, e por último o Sr. E. Muller, que logo no princípio do seu elogio fúnebre ao querido extinto assim se expressou: “Falo em nome de sua viúva, da qual lhe foi companheira fiel e ditosa durante trinta e sete anos de felicidade sem nuvens nem desgostos, daquela que lhe compartiu as crenças e os trabalhos, as vicissitudes e as alegrias, e que se orgulhava da pureza dos costumes, da honestidade absoluta e do desinteresse sublime do esposo; hoje, sozinha, é ela quem nos dá a todos o exemplo de coragem, de tolerância, do perdão das injúrias e do dever escrupulosamente cumprido.”

Madame Allan Kardec recebeu da França e do estrangeiro, numerosas e efusivas manifestações de simpatia e encorajamento, o que lhe trouxe novas forças para o prosseguimento da obra do seu amado esposo.

Desejando os espiritistas franceses perpetuar num monumento o seu testemunho de profundo reconhecimento à memória do inesquecível mestre, consultaram nesse sentido a viúva, que, sensibilizada com aqueles desejos humanos mas sinceros, anuiu, encarregando desde logo uma comissão para tomar as necessárias providências. Obedecendo a um desenho do Sr. Sebille, foi então levantado no cemitério do Père-Lachaise um dólmen, constituído de três pedras de granito puro, em posição vertical, sobre as quais se colocou uma quarta pedra, tabular, ligeiramente inclinada, e pesando seis toneladas. No interior deste dólmen, sobre uma coluna também de pedra, fixou-se um busto, em bronze, de Kardec.

Esta nova morada dos despojos mortais do Codificador foi inaugurada em 31 de Março de 1870 , e nessa ocasião o Sr. Levent, vice-presidente da “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, discursou, a pedido de Madame Allan Kardec, em nome dela e dos amigos.

Cerca de dois meses após o decesso do excelso missionário de Lyon, sua esposa, no desejo louvável de contribuir para a realização dos plano futuros que ele tivera em mente, e de cujas obras, revista e Livraria passou a ser a única proprietária legal, houve por bem, no interesse da Doutrina, conceder todos os anos certa verba para uma “Caixa Geral do Espiritismo”, cujos fundos seriam aplicados na aquisição de propriedades, a fim de que pudessem ser remediadas quaisquer eventualidades futuras.

Outras sábias decisões foram por ela tomadas no sentido de salvaguardar a propaganda do Espiritismo, sendo, por isso, bastante apreciado pelos espíritas de todo o Mundo o seu nobre desinteresse e devotamento.

Apesar de sua avançada idade, Madame Allan Kardec demonstrava um espírito de trabalho fora do comum, fazendo questão de tudo gerir pessoalmente, cuidando de assuntos diversos, que demandariam várias cabeças. Além de comparecer à reuniões, para as quais era convidada, todos os anos presidia à belíssima sessão em que se comemorava o Dia dos Mortos, e na qual, após vários oradores mostrarem o que em verdade significa a morte à luz do Espiritismo, expressivas comunicações de Espíritos Superiores eram recebidas por diversos médiuns.

Se Madame Allan Kardec – conforme se lê em Revue Spirite de 1869 – se entregasse ao seu interesse pessoal, deixando que as coisas andassem por si mesmas e sem preocupação de sua parte, ela facilmente poderia assegurar tranqüilidade e repouso à sua velhice. Mas, colocando-se num ponto de vista superior, e guiada, além disso, pela certeza de que Allan Kardec com ela contava para prosseguir, no rumo já traçado, a obra moralizadora que lhe foi objeto de toda a solicitude durante os últimos anos de vida, Madame Allan Kardec não hesitou um só instante. Profundamente convencida da verdade dos ensinos espíritas, ela buscou garantir a vitalidade do Espiritismo no futuro, e, conforme ela mesma o disse, melhor não saberia aplicar o tempo que ainda lhe restava na Terra, antes de reunir-se ao esposo.

Esforçando-se por concretizar os planos expostos por Allan Kardec em “Revue Spirite” de 1868, ela conseguiu, depois de cuidadosos estudos feitos conjuntamente com alguns dos velhos discípulos de Kardec, fundar a “Sociedade Anônima do Espiritismo”.

Destinada à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas leis, a referida sociedade tinha, contudo, como fito principal, a continuação da “Revue Spirite”, a publicação das obras de Kardec e bem assim de todos os livros que tratassem do Espiritismo.

Graças, pois, à visão, ao empenho, ao devotamento sem limites de Madame Allan Kardec, o Espiritismo cresceu a passos de gigante, não só na França, que também no Mundo todo.

Estafantes eram os afazeres dessa admirável mulher, cuja idade já lhe exigia repouso físico e sossego de espírito. Bem cedo, entretanto, os Céus a socorreram. O Sr. P. G. Leymarie, um dos mais fervorosos discípulos de Kardec desde 1858, médium, homem honesto e trabalhador incansável, assumiu em 1871 a gerência da Revue Spirite e da Livraria, e logo depois, com a renúncia dos companheiros de administração da sociedade anônima, sozinho tomou sob os ombros os pesados encargos da direção. Daí por diante, foi ele o braço direito de Madame Allan Kardec, sempre acatando com respeito as instruções emanadas da venerável anciã, permitindo que ela terminasse seus dias em paz e confiante no progresso contínuo do Espiritismo.

Parecendo muito comercial, aos olhos de alguns espíritas puritanos, o título dado à Sociedade, Madame Allan Kardec, que também nunca simpatizara com esse título, mas que o aceitara por causa de certas conveniências, resolveu, na assembléia geral de 18 de Outubro de 1873, dar-lhe novo nome: “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”, satisfazendo com isso a gregos e troianos.

Muito ainda fez essa extraordinária mulher a prol do Espiritismo e de todos quantos lhe pediam um conselho ou uma palavra de consolo, até que em 21 de Janeiro de 1883, às 5 horas da madrugada, docemente, com rara lucidez de espírito, com aquele mesmo gracioso e meigo sorriso que sempre lhe brincava nos lábios, desatou-se dos últimos laços que a prendiam à matéria.

A querida velhinha tinha então 87 anos, e nessa idade, contam os que a conheceram, ainda lia sem precisar de óculos e escrevia ao mesmo tempo corretamente e com letra firme.

Aplicando-lhe as expressões de célebre escritor, pode-se dizer, sem nenhum excesso, que “sua existência inteira foi um poema cheio de coragem, perseverança, caridade e sabedoria”.

Compreensível, pois, era a consternação que atingiu a família espírita em todos os quadrantes do globo. De acordo com o seus próprios desejos, o enterro de Madame Allan Kardec foi simples e espiriticamente realizado, saindo o féretro de sua residência, na Avenida e Vila Ségur n. 39, para o Père-Lachaise, a 12 quilômetros de distância.

Grande multidão, composta de pessoas humildes e de destaque, compareceu em 23 de Janeiro às exéquias junto ao dólmen de Kardec, onde os despojos da velhinha foram inumados e onde todos os anos, até à sua desencarnação, ela compareceu às solenidades de 31 de março.

Na coluna que suporta o busto do Codificador foram depois gravados, à esquerda, esses dizeres em letras maiúsculas: AMÈLIE GABRIELLE BOUDET – VEUVE ALLAN KARDEC – 21 NOVEMBRE 1795 – 21 JANVIER 1883.

No ato do sepultamento falaram os Srs. P.G. Leymarie, em nome de todos os espíritas e da “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”, Charles Fauvety, ilustre escritor e presidente da “Sociedade Científica de Estudos Psicológicos”, e bem assim representantes de outras Instituições e amigos, como Gabriel Delanne, Cot, Carrier, J. Camille Chaigneau, poeta e escritor, Lecoq, Georges Cochet, Louis Vignon, que dedicou delicados versos à querida extinta, o Dr. Josset e a distinta escritora, a Sra. Sofia Rosen-Dufaure, todos fazendo sobressair os reais méritos daquela digna sucessora de Kardec. Por fim, com uma prece feita pelo Sr. Warroquier, os presentes se dispersaram em silêncio.

A nota mais tocante daquelas homenagens póstumas foi dada pelo Sr. Lecoq. Leu ele, para alegria de todos, bela comunicação mediúnica de Antonio de Pádua, recebida em 22 de Janeiro, na qual esse iluminado Espírito descrevia a brilhante recepção com que elevados Amigos do Espaço, juntamente com Allan Kardec, acolheram aquele ser bem aventurado.

No improviso do Sr. P.G. Leymarie, este relembrou, em traços rápidos, algo da vida operosa da veneranda extinta, da sua nobreza d'alma, afirmando, entre outras coisas, que a publicação tanto de O Livro dos Espíritos, quanto da Revue Spirite, se deveu em grande parte à firmeza de ânimo, à insistência, à perseverança de Madame Allan Kardec.

Não deixando herdeiros diretos, pois que não teve filhos, por testamento fez ela sua legatária universal a “Sociedade para Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”. Embora uma parenta sua, já bem idosa, e os filhos desta intentassem anular essas disposições testamentárias, alegando que ela não estava em perfeito juízo, nada, entretanto, conseguiram, pois as provas em contrário foram esmagadoras.

Em 26 de Janeiro de 1883, o conceituado médium parisiense Sr. E. Cordurié recebia espontaneamente uma mensagem assinada pelo Espírito de Madame Allan Kardec, logo seguida de outra, da autoria de seu esposo. Singelas na forma, belas nos conceitos, tinham ainda um sopro de imortalidade e comprovavam que a vida continua...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Resumo Histórico do Espiritismo

Amigos,

apresento breve relato a respeito dos fatos históricos que antecederam e serviram de base para o Espiritismo:

Do Magnetismo Animal ao Hipnotismo


Mesmer foi um médico austríaco que, em 1779, publicou uma memória defendendo a existência de um " fluido universal", o qual poderia ser utilizado na cura de doenças. Experimentou tratamentos com imãs (magnetos), mas concluiu que o próprio corpo humano emanava forças mais poderosas que as do imã, as quais denominou então de " magnetismo animal". Teve como seguidor o marquês de Puységur que, ao experimentar magnetizar camponeses, descobriu o sonambulismo experimental, em que os pacientes sob transe induzido apresentavam telepatia, visão com as pontas dos dedos, clarividência e outros fenômenos. Puységur, por sua vez, fez numerosos discípulos. Embora durante certo tempo rejeitada pelas academias científicas, no início do século XIX a doutrina do "magnetismo animal" estava muito difundida na Europa, sendo natural que o fenômeno das mesas girantes, surgido em torno de 1850, nos EUA, e logo repetido no continente europeu, fosse classificado como uma nova propriedade do magnetismo animal.
Os pacientes submetidos aos " passes magnéticos" às vezes entravam em estados de sono de profundidade variável, chamados de " sono magnético" ou " estados magnéticos". Foi um dos discípulos do marquês de Puiségur, o Abade Faria (José Custódio de Faria), que assentou as bases da interpretação científica do magnetismo, tendo sido ainda um dos primeiros a experimentar o uso de sugestões verbais na manipulação magnética dos pacientes.
Coube ao cirurgião inglês James Braid, no ano 1841, após estudar os fenômenos do magnetismo, dar- lhes uma conceituação científica e fisiológica, criando o Hipnotismo e sua terminologia, que é a mesma utilizada atualmente. Segundo a nova teoria, tudo devia-se à imaginação do paciente agindo sobre seu sistema nervoso ( hipótese animista), rejeitando-se então a hipótese dos fluidos ( hipótese fluidista).
Estava assim criada a divisão entre fluidistas e animistas, que perdura até nossos dias.
Dessa época em diante a interpretação fisiológica do hipnotismo predominou, embora dentre os fenômenos atribuídos ao magnetismo animal ou ao hipnotismo estejam alguns que mais tarde foram reconhecidos como fenômenos paranormais, como, por exemplo, a telepatia, para o qual não há explicação nem fisiológica nem física.
Durand de Gros foi o primeiro a perceber a diferença entre o mesmerismo, o hipnotismo e a sugestão.


Do Magnetismo Animal ao Espiritismo


As experiências com magnetismo animal e hipnotismo levavam os pesquisadores a depararem-se freqüentemente com fenômenos que extrapolavam os domínios dessas disciplinas ( telepatia, visão com as pontas dos dedos, clarividência e outros), os quais suscitavam, dentre outras, a hipótese do espírito como explicação. Entre outros casos bem documentados que extrapolam as explicações do magnetismo animal e do hipnotismo, é citado o Episódio de Hydesville, o qual colocou a hipótese do espírito em pauta definitivamente.
Chamou-se de Período Espirítico esse período vai do Episódio de Hydesville (1848) até as primeiras pesquisas de Sir William Crookes (1870), sendo a discussão da hipótese do espírito sua temática central, porém sem maiores envolvimentos da ciência oficial.


O Episódio de Hydesville


O dia 31 de março de 1848 é o marco inicial do espiritualismo moderno, coforme narrado pelo pesquisador Sir Arthur Conan Doyle. A família Fox, de Hydesville, estado de Nova York, EUA, teve um caso de " poltergeist", que culminou com um diálogo através de pancadas entre a filha mais nova, Kate, de onze anos, e uma inteligência que se dizia o espírito de um caixeiro-viajante (cujos despojos foram encontrados apenas em 1904), que teria sido assassinado pelos antigos moradores da casa.
Os fenômenos continuaram mesmo em presença de uma multidão de curiosos. Ocorreu assim a primeira manifestação pública de diálogo com os espíritos. Deflagrou-se uma onda de manifestações espíritas espontâneas e provocadas, que se espalhou inicialmente pelos EUA, e extravasou-se para a Europa e demais Américas. Tamanha foi sua repercussão que suscitaram as primeiras pesquisas de cientistas sobre fenômenos paranormais, feitas na Universidade de Buffalo em 1851. Concluíram eles pela fraude (estalos do joelho) das irmãs Fox. Esse resultado foi contestado por outros pesquisadores, de vez que as irmãs já haviam sido submetidas a inúmeras comissões de investigação. Os jornais das cidades de Rochester e de Nova York, daquela época, são fartos em artigos sobre esse episódio e outros que o sucederam, instaurando o Modern Spiritualism nos EUA. Elder Evans e outro " shaker" (refugiados religiosos da Inglaterra que cCultivavam o mediunismo) foram visitar as irmãs Fox em Rochester tão logo tomaram conhecimento das manifestações espíritas ocorridas com elas, e foram saudados entusiasticamente pelas forças invisíveis, que diziam que aquilo era o trabalho que tinha sido predito aos "shakers" quatro anos antes.


As Mesas Girantes


Em fins de 1850 os próprios espíritos sugeriram, através das batidas em código, que os experimentadores se colocassem ao redor de uma mesa, apoiando as mãos sobre ela e, ao ser proferida a letra do alfabeto adequada, a mesa levantaria um dos pés e daria uma pancada, formando-se letra-a-letra as mensagens que os espíritos queriam transmitir. Estava estabelecido assim o fenômeno das mesas girantes, que logo se popularizou nos EUA e, atravessando o atlântico, tornou-se o brinquedo noturno da moda nos salões Europeus.
Deve-se esclarecer que o fenômeno das mesas girantes era conhecido nas antiguidades grega e romana, embora tivessem caido no esquecimento posteriormente.
Os fenômenos espíritas, de tão paradoxais, fizeram que a maioria dos cientistas que os estudaram se concentrassem na comprovação da existência, ao invés de procurarem descobrir os mecanismos naturais que os produziam.
Em meio a um clima de enorme desconfiança e, segundo o pesquisador Conan Doyle, sem qualquer conhecimento dos perigos e desgastes a que estavam se submetendo, Kate e Margareth Fox, as médiuns através das quais foi iniciada a onda de fenômenos espíritas, fizeram, a conselho das inteligências que se comunicavam através delas, demonstrações públicas nos EUA durante mais de vinte anos. Em 1871 Kate foi a Londres, sendo aí submetida a testes por, dentre outros, Sir William Crookes, o famoso químico descobridor do tálio e do tubo de raios catódicos. Há relatos de que nessa época chegou a produzir materializações luminosas.
Crookes iniciou estudando os fenômenos espíritas produzidos por D. D. Home, que já havia sido estudado por Lord Adare. Dentre outros fenômenos, a partir de 1870, através da mediunidade de Florence Cook, já estudava a materialização de espíritos. Crookes publicou os resultados de suas pesquisas (inclusive várias fotografias das materializações) em 1874, enfrentando grandes perseguições por causa de sua conclusão favorável à origem espírita dos fenômenos
As irmãs Margareth e Leah Fox(a irmã mais velha) juntaram-se a Kate pouco tempo depois.
Tantas foram as pressões psicológicas sobre Margareth e Kate que suas faculdades entraram em declínio por causa de alcoolismo, e elas morreram no início da década de 1890. Digno de nota é o livro de Leah Fox, que revelou-se a única das três a compreender as importantes implicações filosóficas e morais, para a humanidade, dos fenômenos com que lidavam.


As Mesas Girantes nos EUA

Em janeiro de 1851 o famoso jurista John Worth Edmonds, ex-senador, ex-juiz do Supremo Tribunal de New York, materialista confesso, declara-se convencido da realidade do espírito, após haver presenciado os mais diversos fenômenos de efeitos físicos e de efeitos intelectuais produzidos sob o mais rigoroso controle. O anúncio de sua conversão abalou profundamente a opinião pública norte-americana.
Aproximadamente à mesma época o ex-governador do Winscosin e senador N. P. Tallmadge, dentre outros homens célebres dos EUA, também declarou publicamente sua adesão ao espiritualismo, em função das provas experimentais da sobrevivência obtidas.
Em 1852 os professores W. Bryant, B. K. Bliss, W. Edwards, e David A. Wells, da Universidade de Harvard, após escrupulosos experimentos, publicaram um manifesto em apoio à autenticidade do fenômeno de levitação de mesas.
O primeiro presidente da Universidade de Cleveland, Rev. Mahan, sustentou a tese do fluido magnético para explicar os novos fenômenos, e o Dr. Robert Hare - professor de química da Universidade de Pensilvânia, fez uma série de experiências com fenômenos espíritas, iniciando com os métodos e aparelhos relatados por Faraday em seu relatório à Sociedade Dialética de Londres, e em seguida desenvolvendo seus próprios métodos e aparelhos, com o que se convenceu da realidade dos fenômenos em questão. Em 1853 publicou um livro relatando suas experiências e conclusões, as quais apontavam a existência dos espíritos como causa dos tais fenômenos. Por isso foi praticamente obrigado a renunciar à sua cátedra na Universidade de Pensilvânia, e sofreu perseguições da Associação Científica Americana e de professores da Universidade de Harvard.
Além dos principais jornais norte-americanos, uma interessante fonte de consulta sobre fatos da época é o periódico " Spiritual Telegraph", primeiro jornal espiritista do mundo.
Tamanho interesse tinham despertado os fenômenos espíritas nos EUA, que alguns médiuns atravessaram o Atlântico e levaram as mesas girantes para a Inglaterra, onde logo o fenômeno era assunto de todas as rodas.


As Mesas Girantes na Inglaterra
Os primeiros médiuns americanos desembarcaram na Inglaterra em 1852, levando para lá os novos fenômenos, que a essa altura incluíam, além das batidas, as materializações, levitações, escrita direta, voz direta, psicografia, psicofonia, vidência, clarividência e outros. Foram feitas pesquisas pelo célebre matemático e filósofo Prof. De Morgan, que concluiu pela veracidade dos fenômenos. Faraday realizou pesquisas sobre as mesas girantes, concluindo que tudo se devia a movimentos inconscientes dos médiuns, embora houvesse casos registrados de movimentos das mesas sem contato dos médiuns, conforme réplica do marquês de Mirville a Faraday. O assunto não mereceu maiores envolvimentos da ciência até 1869, quando foi nomeada uma comissão pela Sociedade Dialética de Londres.
As Mesas Girantes na Alemanha
O Dr. Kerner, que já havia estudado a Vidente de Prevorst, publicou um livro sobre as mesas girantes[103], e uma comissão de renomados professores da Universidade de Heidelberg, composta por Karl Mittermaier, Henrich Zoepfl, Robert von Mohl, Renaud, Vangerow, Carl von Eschemayer, Joseph Ennemoser, o Dr. Justinus Kerner, e o Dr. Loewe também pesquisou o fenômeno das mesas girantes, publicando um relatório a respeito. As experiências com o fenômeno das mesas girantes na Alemanha logo ganharam espaço na imprensa francesa, estimulando a divulgação do fenômeno naquele país.
As Mesas Girantes na França

Segundo Wantuil, o marquês de Mirville, literato Eugène Nus, e o conde de Gasparin historiam a chegada do fenômeno das mesas girantes à França, em 1853. Mirville defendia a realidade dos fenômenos e exigia o pronunciamento da ciência sobre eles. O químico Michel Chevrel, em resposta a Mirville, em nome da Academia de Ciências de Paris, publicou um livro em que explicava os fenômenos da vara divinatória, do pêndulo e das mesas girantes como frutos ou da charlatanice ou de movimentos inconscientes dos operadores, no que foi imediatamente refutado por Mirville, por Gasparin, e pelo Dr. Louis Figuier, os quais apontaram no trabalho de Chevrel, além de graves falhas metodológicas e de argumentação, a omissão de fatos comprovados. Era opinião corrente na época que as mesas girantes poderiam ser explicadas pelo magnetismo animal, mas o magnetismo animal não era bem visto pelas academias científicas, estabelecendo-se calorosa contenda entre os magnetistas e seus adversários. O fenômeno das mesas girantes veio confundir ainda mais os debates, pois suscitava a interpretação de que por trás dele haveria a existência de espíritos, o que chocava tanto as mentes que tinham os espíritos como crendices populares quanto as que os tinham como coisas demoníacas.
Alguns periódicos franceses da época são também importantes fontes bibliográficas sobre os fenômenos do magnetismo animal, sonambulismo, e espiritismo.
Surgimento do Espiritismo

O educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, iniciou estudos dos fenômenos das mesas girantes, escrita automática e outros, aplicando-lhes o método científico. O primeiro fruto dessas investigações foi " O Livro dos Espíritos", em que a interpretação dos fenômenos observados o leva à conclusão da existência e comunicação dos espíritos. Devem-se a ele a criação das palavras " médium", " mediunidade", e " espiritismo", dentre outras. Nota-se em sua obra uma grande influência da idéia do magnetismo animal. Fundou em 1858 e dirigiu a " Revue Spirite", que foi importante fórum de debates sobre a fenomenologia, filosofia e religião espíritas. O mais antigo tratado específico sobre mediunidade foi lançado pelo mesmo autor em 1861 sob o título de " O Livro dos Médiuns". Kardec foi classificado por Charles Richet como o mais influente personagem, entre os anos de 1847 e 1871, na ciência do paranormal. Maiores detalhes biográficos podem ser encontrados na biografia elaborada por Wantuil.
(Na atualidade a obra de Kardec foi profundamente analisada pelo físico e filósofo da ciência Sílvio S. Chibeni, que em recente artigo assim se expressou: (Kardec) "nos legou um paradigma (científico) admiravelmente coerente, abrangente, empiricamente adequado e heuristicamente fértil, que não deixa nada a desejar aos mais bem sucedidos paradigmas das ciências ordinárias, como a termodinâmica, o eletromagnetismo, as teorias da relatividade, a mecânica quântica, etc". Mais adiante, no mesmo artigo, Chibeni faz um admiravelmente sucinto resumo da obra de Kardec:
"Como uma indicação geral e aproximada, podemos dizer que O Livro dos Espíritos, estabeleceu a ontologia e os princípios teóricos básicos (do Espiritismo); O Livro dos Médiuns e a segunda parte de O Céu e o Inferno efetuaram a conexão com a base experimental; O Evangelho Segundo o Espiritismo e a primeira parte de O Céu e o Inferno exploraram as repercursões filosóficas do paradigma (espírita) no campo da ética; A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo e ensaios diversos nas Obras Póstumas e na (Revue Spirit) Revista Espírita aprofundaram vários pontos da teoria (espírita), sendo que a revista constitui também valioso repositório de relatos experimentais".
Para concluir, pode-se afirmar, com base nos trabalhos de Chagas e Chibeni, que até hoje não surgiu uma teoria dos fenômenos espíritas mais sólida, estável, abrangente e bem sucedida que a de Kardec, a qual é a única a atender aos mais modernos e exigentes conceitos de cientificidade.

Chamou-se de Período Científico este que inicia-se com as primeiras pesquisas de Sir William Crookes (1870) e vai até a atualidade, caracterizando-se pela visão positivista de Ciência que esterilizou todos os esforços realizados.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

OBRAS ADICIONAIS DA CODIFICAÇÃO

Obras Póstumas


Obras Póstumas ("Oeuvres Posthumes" no original em francês) é uma compilação de escritos do Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, lançada póstumamente em Paris, em janeiro de 1890, pelos dirigentes da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A epígrafe da obra reza: "É preciso propagar a Moral e a Verdade".


Conteúdo

A obra transcreve uma biografia de Allan Kardec publicada originalmente na Revista Espírita, assim como o discurso proferido pelo astrônomo Camille Flammarion no sepultamento do mestre lionês.
Dividida em duas partes grandes e heterogêneas, contém diversos artigos escritos por Kardec que não haviam sido publicados, fosse por falta de tempo hábil, fosse por não representarem mais, com o passar dos anos, uma expressão fiel de seu pensamento. Além deles, há ainda a transcrição de várias comunicações mediúnicas ocorridas em reuniões em que Kardec tomou parte.
O conteúdo geral da obra é bastante esclarecedor a respeito do ponto de vista do Codificador do Espiritismo acerca de variados temas de ordem filosófica, moral e religiosa. Alguns assuntos abordados: música celeste, a natureza do Cristo, o conhecimento do futuro, as manifestações dos Espíritos, fotografia e telegrafia do pensamento.


Primeira Parte

A primeira parte da compilação é dedicada a uma série de artigos escritos por Allan Kardec em épocas bastante diferentes. Constam nessa porção da obra análises acerca das manifestações dos Espíritos, incluindo temas como perispírito, transfigurações, sonambulismo e telepatia, e sobre temas sociais e filosóficos, a exemplo do Estudo sobre a natureza do Cristo e dos ensaios As cinco alternativas da Humanidade e Liberdade, Igualdade, Fraternidade.


Segunda Parte

Já na segunda porção da obra consta uma série de transcrições de reuniões mediúnicas nas quais Kardec tomou parte, que versaram basicamente sobre o desenvolvimento das idéias espíritas, sua divulgação e sua influência nas sociedades européias. Há diversas notas de Kardec explicando o contexto em que se estabeleceram as comunicações, o que, somado ao ordenamento cronológico em que já se achavam organizados os textos, dá margem à idéia de que se tratava de uma nova obra que vinha sendo compilada pelo Codificador do Espiritismo.

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O Que É o Espiritismo?



O que é o Espiritismo? é a segunda obra sobre o Espiritismo publicada por Allan Kardec, no ano de 1859. Trata de forma introdutória e bastante didática sobre a doutrina espírita.


Sumário

Título Original: "Qu'est-ce que le spiritisme?"
A obra trata, de forma resumida, da definição do Espiritismo, vindo logo em seguida a ">O Livro dos Espíritos, justamente para promover uma mais rápida explanação da Doutrina que aqueloutra trazia. É dividida em três diálogos, em que Kardec discute com um cético, um livre-pensador, e outras personagens.
Traz, ainda, resposta à principais críticas apresentadas pelo opositores da doutrina, bem como a rápida análise da comunicabilidade dos Espíritos, da reencarnação e suas implicações morais.


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Revista Espírita


A Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos - (Revue Spirite - Journal d'Études Psychologiques) foi fundada por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo em 1 de janeiro de 1858, tendo sido por ele editada até a sua desencarnação, ocorrida em 31 de março de 1869.
Os números publicados durante esses 12 anos foram traduzidos para o português, podendo ser encontrados em três edições, uma pela Editora IDE - Instituto de Difusão Espírita, em tradução de Salvador Gentille, outra pela Editora Cultural Espírita Edicel, em tradução de Júlio Abreu Filho e, a mais recente, pela Federação Espírita Brasileira, em tradução de Evandro Noleto.
Como se poderá verificar, comparando os números editados por Kardec com as Obras Básicas, o Codificador utilizava a Revista Espírita para desenvolvimento e debate de idéias que seriam, muitas delas, após consolidadas, transferidas para os livros da Codificação publicados após O Livro dos Espíritos. Assim sendo, o estudo dos números da Revista Espírita publicados durante seus primeiros 12 anos é fundamental para entendimento da Doutrina Espírita.
Após a desencarnação de Kardec, a Revue Spirite permaneceu sendo publicada na França, com interrupções apenas entre 1915 e 1917, devido à Primeira Guerra Mundial, entre 1940 e 1947, devido à Segunda Guerra Mundial e entre janeiro de 1977 e maio de 1986 pelo abandono do título. Em 11 de maio de 1989 a Union Spirite Française et Francophone (USFF) - União Espírita Francesa e Francofônica - obteve o registro oficial da Revue Spirite e reiniciou a sua edição em conjunto com o Conselho Espírita Internacional (CEI). Hoje a Revista Espírita é editada em francês, esperanto, espanhol, inglês, polonês e russo.

Obs: Estarei inserindo nos links a fonte para download da Revista Espírita de 1858 a 1869. Muito, muito importante para estudar de fato a Doutrina Espírita, pois vai muito além das Obras Básicas, mostrando o progresso dos Estudos realizados, pesquisas e experiências.